Ferramenta clínica · Classificação da OMS

Calculadora CIF: qualificadores e ficha em PDF

Marque o que o paciente apresenta, responda quanto e a ferramenta indica o código da CIF, explica de onde veio cada qualificador e monta o perfil de funcionalidade pronto para o prontuário.

OMS, 2001 · tradução brasileira: Centro Colaborador da OMS para a Família de Classificações Internacionais em Português, EDUSP, 2003 · a CIF não tem escore total

Identificação

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Classificar

Cada categoria adicionada vai para o perfil abaixo. Você pode alternar entre os dois modos a qualquer momento.

  1. 1. O que o paciente apresenta
  2. 2. Quanto

Marque tudo o que você identificou na avaliação. Cada item corresponde a uma categoria da CIF.

Funções do corpo
Atividades e participação
Fatores ambientais (o que ajuda ou atrapalha)
Estruturas do corpo (alteração anatômica conhecida)
Nenhum item marcado

Perfil de funcionalidade

O resultado é um perfil, categoria por categoria. A CIF não tem escore total.

Nenhuma categoria adicionada ainda. Use o modo guiado ou a busca por código acima.

Como funcionam os qualificadores

A CIF foi aprovada pela Assembleia Mundial da Saúde em 2001 (resolução WHA54.21). Ela complementa a CID: a CID descreve a doença, a CIF descreve como a pessoa funciona com ela. Cada código tem uma letra que indica o componente (b funções do corpo, s estruturas do corpo, d atividades e participação, e fatores ambientais), seguida dos dígitos da categoria. Sem qualificador o código não tem significado. O qualificador vem depois do ponto e indica a magnitude do problema.

Escala genérica: 1º qualificador de todos os componentes
CódigoMagnitude do problemaFaixa
xxx.0Nenhum (ausente, escasso)0 a 4%
xxx.1Leve (baixo)5 a 24%
xxx.2Moderado (médio, regular)25 a 49%
xxx.3Grave (alto, extremo)50 a 95%
xxx.4Completo (total)96 a 100%
xxx.8Não especificado—
xxx.9Não aplicável—
Qualificadores por componente
ComponenteQualificadoresExemplo
Funções do corpo1º: extensão da deficiênciab730.2 deficiência moderada da força muscular
Estruturas do corpo1º: extensão · 2º: natureza da alteração · 3º: localizaçãos730.321 deficiência grave da extremidade superior, ausência parcial, à direita
Atividades e participação1º: desempenho · 2º: capacidade sem ajuda · 3º (opcional): capacidade com ajuda · 4º (opcional): desempenho sem ajudad450.23 desempenho com dificuldade moderada e capacidade sem ajuda com dificuldade grave para andar
Fatores ambientais1º: barreira (ponto) ou facilitador (sinal +)e120+3 produtos para mobilidade como facilitador considerável
Estruturas do corpo: 2º e 3º qualificadores
Dígito2º: natureza da alteração3º: localização
0Nenhuma mudança na estruturaMais de uma região
1Ausência totalDireita
2Ausência parcialEsquerda
3Parte adicionalAmbos os lados
4Dimensões aberrantesParte anterior
5DescontinuidadeParte posterior
6Posição desviadaProximal
7Mudanças qualitativas na estrutura, incluindo acúmulo de fluidoDistal
8Não especificadaNão especificada
9Não aplicávelNão aplicável

Quando um qualificador não foi avaliado, a OMS usa o traço baixo na posição dele: d5101._2 registra só a capacidade.

Como aplicar a CIF na avaliação

  1. Escolha as categorias. Parta de um Core Set da condição de saúde, quando houver, e acrescente o que for relevante para o caso. A OMS indica que 3 a 18 categorias de 2º nível costumam bastar para descrever um caso.
  2. Avalie com um instrumento. O qualificador precisa de uma medida por trás: goniometria para b710, MRC para b730, Ashworth Modificada para b735, teste de caminhada para d450, escala de AVD para d5.
  3. Converta o resultado na faixa percentual. Pergunte "quanto do problema total esta pessoa tem?" e encaixe na escala de 0 a 4. Use 8 se a informação não basta e 9 se a categoria não se aplica.
  4. Em estruturas, registre natureza e lado. O 2º qualificador diz o tipo de alteração e o 3º diz onde ela está.
  5. Em atividades e participação, separe desempenho de capacidade. Desempenho é o que a pessoa faz em casa, no trabalho, na rua. Capacidade é o que consegue fazer em ambiente padronizado e sem ajuda.
  6. Em fatores ambientais, decida se ajuda ou atrapalha. Barreira leva ponto (e310.2), facilitador leva sinal de mais (e310+2).
  7. No modo guiado, a ferramenta faz a conversão por você. Você marca o que o paciente apresenta e responde quanto, por impressão clínica ou pelo resultado do instrumento. As regras de conversão estão na tabela abaixo.
  8. Gere o PDF e guarde no prontuário. Na reavaliação, informe o qualificador anterior de cada categoria para ver a variação.

Como o modo guiado sugere o qualificador

Todo resultado é convertido em percentual do problema e encaixado na faixa da OMS (0 = 0 a 4%, 1 = 5 a 24%, 2 = 25 a 49%, 3 = 50 a 95%, 4 = 96 a 100%). As regras abaixo são uma proposta do FisioCerto para padronizar a conversão. A OMS não publica uma tabela oficial de conversão para esses instrumentos.

Regras de conversão usadas no modo guiado
CategoriaInstrumentoCálculo do percentualResultado
b280 Sensação de dorEscala numérica (0 a 10)nota × 100 = .0 · 1 e 2 = .1 · 3 e 4 = .2 · 5 a 9 = .3 · 10 = .4
b730 Força muscularMRC (0 a 5)(5 − grau) × 205 = .0 · 4 = .1 · 3 = .2 · 2 e 1 = .3 · 0 = .4
b735 Tônus muscularAshworth Modificadaposição na escala × 200 = .0 · 1 = .1 · 1+ = .2 · 2 e 3 = .3 · 4 = .4
b710 Mobilidade articularGoniometria(1 − medida ÷ referência) × 100Ex.: 90 de 150 graus = 40% = .2
Demais funções e estruturasImpressão clínicaResposta escolhida na faixaSem alteração = .0 até função ausente = .4
Atividades e participaçãoObservação ou relatoNível de dificuldade e de ajudaSem dificuldade = 0 até dependência total = 4
Fatores ambientaisRelato e observaçãoAjuda ou atrapalha, e quantoPouco = 1 · moderadamente = 2 · muito = 3 · totalmente = 4

A Ashworth Modificada avalia só a espasticidade. Para hipotonia ou rigidez, use a impressão clínica. Para a goniometria, informe a amplitude de referência que você adota, de acordo com a articulação, o movimento e a idade do paciente.

Como ler o perfil de funcionalidade

Leia categoria por categoria

O resultado é um perfil, não um número. Ele mostra onde está o problema e qual o tamanho dele em cada categoria. A CIF não define escore total nem ponto de corte (OMS, 2001).

Desempenho pior que capacidade

Em d450.31 a pessoa consegue andar em ambiente padronizado, mas anda pouco no dia a dia. Procure barreiras no ambiente habitual ou fatores pessoais. A diferença entre os dois qualificadores orienta o que mudar no ambiente (OMS, 2001, Anexo 2).

Capacidade pior que desempenho

Em d450.13 o ambiente está compensando a limitação, por exemplo com dispositivo de auxílio ou ajuda de familiar. Registre esses facilitadores em e para que não se percam na alta.

Mudança entre avaliações

Cada nível do qualificador cobre uma faixa larga (o nível 3 vai de 50 a 95%). Para afirmar melhora, use o MCID ou a MDC do instrumento que você usou para graduar. A CIF não define esses valores para os qualificadores.

Limites que você precisa conhecer

A CIF não é um instrumento de medida

É uma classificação. A própria OMS afirma que os procedimentos de avaliação para graduar os qualificadores ainda precisam ser desenvolvidos por pesquisa. Sem um instrumento por trás, o qualificador vira opinião.

Confiabilidade varia entre categorias

A concordância entre avaliadores muda conforme a categoria, o treinamento e o instrumento de ancoragem. Não existe um único valor de confiabilidade para "a CIF".

Fatores pessoais ficam de fora

Idade, hábitos, estilo de enfrentamento e escolaridade fazem parte do modelo, mas não têm códigos na classificação. Registre-os em texto nas observações.

A sugestão é um ponto de partida

As conversões do modo guiado são uma proposta para padronizar o registro, não uma regra da OMS nem uma escala validada. Revise cada sugestão antes de adicioná-la. A busca por código aceita subcategorias de 3º e 4º nível; confira o nome delas na CIF completa.

Dúvidas sobre a CIF

O que é a CIF na fisioterapia?

A CIF é a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, da OMS. Ela descreve como a pessoa funciona no dia a dia em quatro componentes: funções do corpo, estruturas do corpo, atividades e participação e fatores ambientais. Na fisioterapia, serve para registrar a avaliação em uma linguagem comum entre profissionais e serviços.

Como calcular o qualificador da CIF?

Avalie a categoria com um instrumento (goniometria, teste de força, teste de marcha, escala de AVD) e converta o resultado na faixa percentual do problema: 0 = 0 a 4%, 1 = 5 a 24%, 2 = 25 a 49%, 3 = 50 a 95% e 4 = 96 a 100%. Use 8 quando a informação não basta para graduar e 9 quando a categoria não se aplica.

Qual a diferença entre desempenho e capacidade na CIF?

Desempenho é o que a pessoa faz no ambiente em que vive, com as ajudas e barreiras que existem nele. Capacidade é o máximo que ela consegue fazer em um ambiente padronizado, sem ajuda. A diferença entre os dois mostra quanto o ambiente está ajudando ou atrapalhando.

Como codificar barreira e facilitador nos fatores ambientais?

Barreira usa ponto antes do qualificador e facilitador usa o sinal de mais. Por exemplo, e120.2 indica que os produtos para mobilidade são uma barreira moderada e e120+2 indica que são um facilitador moderado.

A CIF tem escore total?

Não. A CIF é uma classificação, não uma escala. Cada categoria recebe o seu qualificador e o resultado é um perfil de funcionalidade. Somar ou tirar média dos qualificadores de categorias diferentes não tem significado clínico.

Como interpretar. O resultado é um perfil de funcionalidade, lido categoria por categoria. Cada nível do qualificador cobre uma faixa larga do problema; para afirmar melhora entre avaliações, use o MCID ou a MDC do instrumento que graduou a categoria. A variação entre avaliações do mesmo paciente pesa mais que o valor isolado.

Ferramenta de apoio à documentação clínica. Não substitui a avaliação presencial de um fisioterapeuta nem a consulta à CIF completa: a interpretação e a conduta são de quem avalia.

Referências. World Health Organization. International Classification of Functioning, Disability and Health: ICF. Geneva: WHO; 2001. · Organização Mundial da Saúde. CIF: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Centro Colaborador da OMS para a Família de Classificações Internacionais em Português, tradutor; Buchalla CM, coordenação da tradução. São Paulo: EDUSP; 2003 (fonte dos nomes das categorias usados nesta ferramenta). · Farias N, Buchalla CM. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização Mundial da Saúde: conceitos, usos e perspectivas. Rev Bras Epidemiol. 2005;8(2):187-93. · Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 452, de 10 de maio de 2012. Brasília: CNS; 2012. · Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Resolução nº 370, de 6 de novembro de 2009. Brasília: COFFITO; 2009. · Okochi J, Utsunomiya S, Takahashi T. Health measurement using the ICF: test-retest reliability study of ICF codes and qualifiers in geriatric care. Health Qual Life Outcomes. 2005;3:46. doi:10.1186/1477-7525-3-46 · Selb M, Escorpizo R, Kostanjsek N, Stucki G, Üstün B, Cieza A. A guide on how to develop an International Classification of Functioning, Disability and Health Core Set. Eur J Phys Rehabil Med. 2015;51(1):105-17. · Cieza A, Fayed N, Bickenbach J, Prodinger B. Refinements of the ICF Linking Rules to strengthen their potential for establishing comparability of health information. Disabil Rehabil. 2019;41(5):574-83. doi:10.3109/09638288.2016.1145258

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